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               QUANDO O GRANDE TEM MEDO DE CAIR 
             O PEQUENO PELEJA E NÃO SE APRUMA



                Três estrofes que foram resgatadas de um longo trabalho produzido após ouvir o sermão de um padre do interior. É um decassílabo de rima rara, bem cadenciado, que traz com ênfase a acentuação obrigatória.O sentido figurado dos versos é talvez o que mais embeleza seu conteúdo. 



É o homem explorando o seu irmão
pra viver num mundão de mordomias,
ter status, prestígio e regalias,
mandar mais nos poderes da Nação;
sobem juros, galopa a inflação,
e o pequeno sem ter vantagem alguma,
como um réu que procura e não arruma
um buraco na grade pra sair
-Quando o grande tem medo de cair
o pequeno peleja e não se apruma.

Vê-se um rico e famoso fazendeiro,
dedicado à lavoura e criação,
quando vê alto preço da ração
baixa logo o salário do vaqueiro,
quando chegam janeiro e fevereiro
as pastagens no campo formam ruma
e o coitado vaqueiro fica numa
ilusão de que o ganho vai subir
-Quando o grande tem medo de cair
o pequeno peleja e não se apruma.

É assim que entendem os empresários
quando vêem aumentar o combustível
pra manterem da empresa o mesmo nível
criam regras que afetam os operários,
se algum deles ganhar uns três salários,
depressa, eles querem que outro assuma,
e o novato ligeiro se acostuma
ganhar pouco, sofrer e produzir
-Quando o grande tem medo de cair
o pequeno peleja e não se apruma.


Pedro Ernesto Filho
Enviado por Pedro Ernesto Filho em 23/07/2008
Alterado em 19/08/2008

Música: Viola barulhenta - Tião Carreiro



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